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Gato Pardo

Para quem conhece, vocês estão mais que vacinados. Vocês não conhecem isto? São maiores de idade? Trazem o vosso cartão de cidadão, boletim de vacinas e resgisto criminal? Não? Fantástico!!!

Gato Pardo

Para quem conhece, vocês estão mais que vacinados. Vocês não conhecem isto? São maiores de idade? Trazem o vosso cartão de cidadão, boletim de vacinas e resgisto criminal? Não? Fantástico!!!

2021. O jogging expectável ou o desfrutar da estrada sem saber onde ela nos leva?

03.01.21publicado por Gato Pardo

E ao terceiro dia deste ano (que se espera que seja substancialmente diferente deste que terminou), ganhei um pouco da coragem que me estava a faltar no término de 2020 e decidi ir correr.

Acordei, fiz os exercícios habituais, tomei o pequeno almoço e preparei-me para puxar um pouco pelo corpo. O tempo, embora pouco convidativo a exercícios no exterior, aguentou-se o suficiente para que pudesse usufruir de uma hora de sofrimento auto infligido com a promessa vã que esta m*rda faz bem à saúde, blá, blá, blá, whiskas saquetas. Como animal de hábitos que sou, costumo correr sempre nos mesmos locais. Da mesma forma que eu o faço, muitas outras pessoas o fazem. Pessoas mais jovens, outros da minha geração e outros ainda que têm idade para me ensinar a fazer renda de Bilros mas com um ritmo e passada de putos com a vitalidade dos seus 20 anos e que me fazem secretamente odiá-los visceralmente. Embora saibamos quem somos, é muito raro corrermos em grupo. De uma forma ou de outra, somos todos lobos solitários que partilhamos um gosto em comum. Hoje foi um desses raros dias. Enquanto corria na minha passada (a caminho do meu segundo quilómetro) na minha habitual média de muitos mais minutos do que aqueles que eu desejaria, fui brindado com a companhia de mais duas pessoas. Ele, na casa dos seus 40 anos, com ar de quem é tudo aquilo que eu não sou. Não é calão quanto ao desporto, não faz uma alimentação desequilibrada e provavelmente não cometeu um décimo das asneiras que eu cometi nestas épocas festivas. Ela, mais nova, parecia saída de um anúncio da Decathlon tal a parafernália tecnológica que trazia anexada ao corpo e a cor fluorescente que emanava do equipamento que vestia. Mas fora de brincadeiras, para quem como eu corre na solidão, foi um pouco estranho (diferente, vá...) ouvir três ritmos de passadas diferentes no asfalto e nada mais. Todos nós fazíamos questão de nos mantermos em silêncio mas de uma forma só nossa, desfrutámos daquela hora na companhia um dos outros. Quando nos deparámos perante o cruzamento que nos levaria em direcções distintas, apenas anuímos com o olhar e seguimos os nossos caminhos.

Porquê toda esta conversa da treta sobre um desporto que uma maioria odeia e outros tantos não compreendem? Simples. Isto umas horas atrás não teria qualquer importância mas como sempre, há textos que te caem no colo sem razão aparente. Li algo que o Eduardo Madeira publicou no seu Instagram. Talvez alguns não saibam, mas o Eduardo testou positivo para Covid-19 cerca de 10 dias atrás. Assintomático, mas positivo. O receio pela sua família (afinal de contas, a Joana está grávida) falou mais alto. Mas o que me captou a atenção no texto que ele escreveu foi sobre os amigos verdadeiros. Os que ficam e os que partem. Não quero com isto dizer que toda esta pandemia tem um lado positivo (porque não tem, sejamos claros) mas ajuda a tornar bem mais visível quem são realmente as pessoas que merecem o que de melhor tu tens para oferecer. E o texto do Eduardo deu-me que pensar. 2020 para mim, nesse aspecto foi do c*ralho. Mas no entanto, começo 2021 na companhia de 2 perfeitos estranhos.